sexta-feira, novembro 26, 2004

Menina do Mar

Não te consigo esquecer. Talvez mesmo só hoje tenha sentido a tua falta. Deixaste-me orfão dos sons, da terra. Fiquei com as mãos vazias da areia de outros tempos. És semi-mãe de um dos meus sentidos. Poucos foram mais longe que tu e ainda não me recordei quem são eles. Deste-me as palmas do mar e as pérolas femininas, a mim que brincava na areia. Hoje prefiro ambientes a notas, composições a palavras e a culpa é tua.

“- Agora vais ser forte como um polvo.
- Agora vais ser sábio como um caranguejo.
- Agora vais ser feliz como um peixe.”

Que venha por último aquilo que quero por primeiro, assim serei ainda mais.



terça-feira, novembro 23, 2004

Ela está a mijar

Estou um bocado farto de me ler. Estou sobretudo cheio de escrever como se estivesse a escrever. Do contínuo tom diferente, a entoação que mesmo sem intenção vai bater sempre nos mesmos pontos. Ai, e estas frases de toque! Irra. Foi preciso ler-me nos outros para decidir tirar uma folga. Hoje, amanhã ou pelo menos durante cinco minutos vou-me deixar (já estou outra vez a escrever em vez de falar!) em paz. Arre burro que aqui não tens espaço! Vai-te embora!

Sinto-me melhor agora.

domingo, novembro 21, 2004


Houve momentos em que doeu olhar para trás. Em que na pele ficaram marcas dos dias quentes, feitos a cultivar o pessimismo de trazer por casa. De noites fechadas sem luz, debruçado. Não há espírito que aguente, talvez por isso possa agora dizer adeus. Posted by Hello