sexta-feira, dezembro 02, 2005

De olhos bem fechados

Tentei pintar sobre os meus pecados, modelar a personagem, cortar o espaço que fica entre a razão e o ilógico, sem sangrar demais. Quarto dos cantos de desejos obscuros que nego. Quadro vermelho e preto onde vivem as minhas escolhas que por terem sentido me assustam. Quebrei. Não os exponho, nunca o farei mas vivo-os. Assim, ao sorrir tranquilamente de prazer, saberei que eles são meus, mas só meus. Ouvi-te, cheirei. Que bem que cheiras.
Como negar desejos?

segunda-feira, novembro 28, 2005

Jejum

Enquanto escolho que teia de aranha observar hoje e viro as páginas do jornal de todos os dias, escondo-me da dispensa e tento matar este instinto de comer. Almoço por volta das nove da manhã, jantar quando chegar a sorte. Entretanto faço a cama e arrumo as meias que vão deixar de ser brancas. Coso o estômago para esquecer e penso no bicho de sete-cabeças. Sonho com lasagna, com o cheiro, sabor. Como devagar, assim quando chegar ao fim satisfeito talvez já sejam horas de me sentar à mesa, talvez já tenha exorcizado demónios, talvez já possa jantar. Se ainda tiver fome.