sábado, junho 19, 2004


"rio kwai" Posted by Hello

Às vezes...

não sei ler as outras pessoas.
prefiro colocar de parte os significados das acções.
escolho apagar aquilo que não me agrada.
é mais simples andar alheio a tudo.
é bom falar sem que me entendam.
sabe bem não ter que ser alguém.
é melhor nascer com um nome diferente todos os dias.
prefiro sentar-me nos cantos.
o copo está cheio.
penso em fugir para a Dinamarca.
faço bem.

"Como se vai chamar?" Posted by Hello

Bica

" Pobre inocente! Um crime imperdoável, o de ter vinte anos, uma formusura esplêndiada, uma índole boa e simpática, uma alma entusiástica, e de juntar a tudo isto uma virtude imaculada. Que mal fez a rosa ao caracol, para que este lhe entorne nas pétalas a repugnante baba? A luz, minha filha, não atrai unicamente as borboletas, também atrai os morcegos, estes para de despeito a apagarem, aquelas para se queimarem na chama, que as eleva. Satanas ao sair das trevas vai insultar o sol. Quer viver sossegada? Não brilhe. Não quer que a mordam no calcanhar? Arraste-se com as serpentes"

in "A flor sêca" de Manuel Pinheiro Chagas



Nunca se sabe quando é que a noite te pode dar a mão e sussurrar-te a sua história ao ouvido. Seja como for, se vires o Vasco da Gama sentado, diante do 28, faz-lhe um pouco de companhia. Quanto sei ele ia gostar de ouvir um poema, às 5 da manhã.

"caf�" Posted by Hello

sexta-feira, junho 18, 2004

Tempo contado

Dois dedos de conversa. Dois dedos de sabores. Alternantes, ao gosto das intempéries. Conversa de almofadas, coloridas de tarde e de chá, sentados à porta da luz como quem dá as boas vindas ao calor. Devagar vai conseguindo telefonar, combinar um entardecer de cafeína e fumo, se possível com vista. Vai pensando o quanto virá a sentir falta desses longos passados na companhia delas, noites. Eventualmente acabaria, foi isso que sempre soube.

Resta-me sentar, ver um video no televisor a preto e branco, onde agora talvez os filmes passem todos a ser clássicos.

fugas de um programa de Janela aberto


"Por aqui?" Posted by Hello

Abraço frio

"This is the epitaph for my heart
... who will mourn the passing"

Não é maneira de começar. Ainda procuro o nome com que me possa ofender por pôr isto aqui, em lado nenhum. Isto é apenas um reflexo do que se passa. Mas segui o conselho, não fazia sentido abrir de outra forma, sem sentido. Falei com o sábio rato do meu quintal, escuro, que vive para lá dos troncos da figueira, além da vista das silvas, a observar. Deu-me confiança, não para fazer mas para não deixar de.
- Cria-me - disse.

Vou tratar do pronúncio do enterro, lidar com as condolências, ver a lápide uma última vez e esperar o momento em que o corpo se cruza com o espírito. Até que tenha inspiração para escrever aquela frase final, o que fica para trás numa fotografia de letras, beijada no frio da pedra.