enquanto te bebo

Não consigo comer. Estou cansado de dizer boas noites. Sem forças para andar direito. Sem espírito para olhar para um ecrã. Foi difícil deixar a cama para trás. Acho que só chorei quando tive a certeza que ela não me via. Faltava-me paciência para trabalhar em conjunto. Não quero trabalhar contigo. Dá-me vontade de esmurrar a parede. Fico contente por não me destruíres. Fiquei contemplativo. Pois não penso noutra coisa. Vejo que ao meu corpo não lhe resta senão rejeitar-te. Não te encontro fora de mim. A última vez que nos sentamos na mesma mesa. Feita de suspiros e falsos silêncios. Atirei-te ao chão, desmanchou-se aquele pouco que restava. Não dissemos nada porque queríamos dizer o mesmo. Faço de conta que nunca estiveste lá. A dois proferimos o mesmo nada. Acho que isso me resta para sobreviver. No fim de contas é um domingo, dia em que cabe a cada um não cair. Quando faz muito que eu caí em ti. Dá-me um abraço amor.
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