sexta-feira, novembro 26, 2004

Menina do Mar

Não te consigo esquecer. Talvez mesmo só hoje tenha sentido a tua falta. Deixaste-me orfão dos sons, da terra. Fiquei com as mãos vazias da areia de outros tempos. És semi-mãe de um dos meus sentidos. Poucos foram mais longe que tu e ainda não me recordei quem são eles. Deste-me as palmas do mar e as pérolas femininas, a mim que brincava na areia. Hoje prefiro ambientes a notas, composições a palavras e a culpa é tua.

“- Agora vais ser forte como um polvo.
- Agora vais ser sábio como um caranguejo.
- Agora vais ser feliz como um peixe.”

Que venha por último aquilo que quero por primeiro, assim serei ainda mais.



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