Acordei noutro sítio, entre os sons de quem vai a um funeral. Levantei-me das últimas horas, fiz o sofá, recoloquei as almofadas. Creme. Cruzei-me com eles, pensavam ir à praia num dia de chuva. Encostados no balcão da cozinha, juntei-me a eles, de copo d'água. Ri-me, para mim. Fui ver se tinhamos arrumado o "risco" da noite anterior, arrumado. Pensei nas horas de almoço. Tinha de ir. Peguei, fui adeus, andando com o vento, sabia bem aquele vento. Lembrei-me outra vez. Segui para a avenida. Dia de semi-inverno sem o ser exactamente, descobriu-se um oásis no verão, para perceber do que gosto no inverno, o trágico. Nevoeiro que se queria mais cerrado, chuva intermitente, leve, brisa. Fui andando, ninguém. Lembrei-me outra vez. Já me tinha visto assim, calças sujas, t-shirt usada, radio, head, de
mãos nos bolsos, empurrando o casaco de malha sobre o corpo. Sete-rios ou Lusíada? Em frente é melhor, é monótono, faz-me adormecer. Passei na rua, parecia que a ausência anterior havia sido uma eternidade. Vi tudo com uma saudade de meses. Lá cheguei, almocei, estiquei-me, vi filmes e lembrei-me, uma última vez.