Ermita

Os cursos que em silêncio se cravam no meu corpo não me fazem esquecer. Essas linhas enroladas em mim, presas como músculos entorpecidos, suficientemente acordadas para verem a sua morte, o bastante enclausuradas para nada mais fazerem senão vestir mentiras para enganar a fome. Não te consegues despir. Perdeste por desgaste e não por razão. Queria pensar que ainda te poderia ver nua, sem teres de apagar o que te determina. Nem que se acabe só, sem luz, escondido na neve e despojado de festividades empobrecidas.
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