Fico com a sensação que tudo isto dura à tempo demais, que há dez anos abri o primeiro livro de direito e agora, quando já tenho de fazer arrumações sazonais para encontrar espaço para os que vão pululando pelo meu quarto, não consigo fechá-los de vez. De facto, nem metade desse tempo passou. Quando devia estar cheio de preocupações com o que vou fazer depois do fim, estou sim com vontade de despachar tudo isto o mais depressa possível e ver tudo pelas costas. Quando a vontade é de acabar, eu também não consigo fugir de uma letargia preocupante. A mim parece-me um cruzamento de parvoíces, daqueles que com um olhar clínico diagnosticaria "normal". Não sei se é por ser burguês ou simplesmente não ligar excessivamente a um futuro próprio. Talvez repita mentalmente todos os dias "o jogo mais importante é o próximo" e isso me faça crer que não é altura para estudar mas sim para correr para o campo. Aí espero pelas alegrias dadas por um rui, talvez um nuno, mas sobretudo um
Pedro. Pois que nos dias abafados que correm, preso de movimentos, são eles que me fazem esquecer um
fim que nunca mais acaba.