quinta-feira, novembro 18, 2004

Pato bravo

Fazes-me perder os sentidos com as tuas voltas. Copias os meus medos e torna-los palpáveis, de tal modo que me dá vontade de vos abraçar, a todos. Só nunca percebo porque me fazes correr contra a parede, me cortas os lábios quando ao fundo eu via um beijo. Para a próxima não te deixo sair do fundo do poço, não te lambo as feridas, nem te deixo roubar-me pedaços. Não. Voltarei a fazê-lo outra vez. Nem tenho medo de te ver à chuva, de querer empurrar-te para então te salvar. Simplesmente por vezes desligo o botão e esqueço-me de te amar. Por entre os segundos.
Sou um voluntario da minha vontade.
O resto é história.

quarta-feira, novembro 17, 2004

Mia


Não me vejo. Devo estar a andar, vislumbro movimento perto, um foco sem norte estes olhos. Pareço turvo. Não te consigo distinguir mas recebo o teu adeus, sem perdas. Espera, esqueces-te.
Tive de te abandonar, refugiado na carcaça da minha vontade de ser tudo um sonho. Se pudesse cortava-me. Picotava as costas da mão como no tempo em que todas as letras da vida ainda cabiam entre as duas linhas, num livro de 24 páginas.
Vivo a cadência de sentimentos e encontro um lugar comum, mas apenas de sofrimentos.
Por isso também te os dei a ti.
Posted by Hello

domingo, novembro 14, 2004

Mastigo-te

Quero contar-te uma coisa. Sei a tua voz de outros tempos. Sei como te escondes, como brincas com as palavras, esgueiras-te pelos teus problemas. Gostava de dizer-te que já vi o nosso filme, que li em tempos os nossos telefonemas. Episódio por episódio, levantam-se a tuas saias, conheço-as pretas da cor da tua pele. Conhecia-te de antes. Podias ter sido tu mas foi outra, como tu. Estranho. Bastava cair naquele primeiro degrau, na tua conversa íntima sobre a criação do 3. Vejo as cenas de filmes antigos e penso já nos maus finais, o virar de costas nem sempre será um deles. Já te vi mas talvez tenha aprendido de novo a ver. Por enquanto permaneço cego para ti.
- Olá, sou eu. Estou só a telefonar para mastigar-te.