Era pequena, ainda sem cor de cabelo e sem nome.
15 Escondia-se nas ervas, atrás da grande árvore que estava a caminho de sua casa. Verde de nome, sem saber nada de história, da história.
14 Tinha um esquilo voador e um alce que faziam parte de sua casa, sem vedações, sem limites, sem o conceito da segurança de uma porta fechada. Tinha a avó, a bisavó, a mãe, pai, irmãs para a obrigarem a crescer.
13 Subia às árvores, as do lado de lá da estrada, a cem metros, a única da sua vida. Via a neve de inverno, um palmo maior do que ela, pequena, nunca iria ser maior. Dormia aqui e ali, com uma facilidade total, como se não tivesse em que pensar e no meio da relva escondia-se involuntariamente, adormecendo no quintal.
12 Tinha o sorriso, aquele que não se esquece, que se recorda nas noites vazias. Nunca foi dada a despedidas, não lhe estava no sangue, o mesmo que corria no sentido contrário dos dias que passam. Escondia pandora talvez por isso aparecia com a mesma facilidade com que já não estava lá.
11 Não se sabe sequer se alguma vez teve lembranças, a saudade que nem sequer existia na sua língua. Queria descobrir o plural do céu pois já sabia a diferença entre as vespas e abelhas. Fazia amigos das horas, dava-lhes nomes e revia-os diariamente.
10 Gostava de mel com trigo, de encontrar coisas perdidas e de lhes dar sentido, ajudá-las. Pisar o feno dos animais. Não vivia de noite, escondia-se sem concha, vulnerável. Não se sabe o que queria, mesmo.
9 Desde a última vez que olhei fico sempre com a impressão que ela já voltou a desaparecer