sábado, agosto 28, 2004

Uns porque os não têm, outros porque não os querem

Por vezes odeio-te, será melhor não me dizeres nada, mas isso também vem acontecendo. Reconheço em mim necessidades tuas apenas nunca as desvendo, talvez seja por isso que te odeio, por sentir o mesmo que tu, os mesmo vazios de ombro onde falta o apoio, o acompanhamento. Nunca te darei a estalada que sinto crescer na palma da mão, não acredito na minha violência. Sem comentários.

quinta-feira, agosto 26, 2004

Contando dias

Era pequena, ainda sem cor de cabelo e sem nome. 15 Escondia-se nas ervas, atrás da grande árvore que estava a caminho de sua casa. Verde de nome, sem saber nada de história, da história. 14 Tinha um esquilo voador e um alce que faziam parte de sua casa, sem vedações, sem limites, sem o conceito da segurança de uma porta fechada. Tinha a avó, a bisavó, a mãe, pai, irmãs para a obrigarem a crescer. 13 Subia às árvores, as do lado de lá da estrada, a cem metros, a única da sua vida. Via a neve de inverno, um palmo maior do que ela, pequena, nunca iria ser maior. Dormia aqui e ali, com uma facilidade total, como se não tivesse em que pensar e no meio da relva escondia-se involuntariamente, adormecendo no quintal. 12 Tinha o sorriso, aquele que não se esquece, que se recorda nas noites vazias. Nunca foi dada a despedidas, não lhe estava no sangue, o mesmo que corria no sentido contrário dos dias que passam. Escondia pandora talvez por isso aparecia com a mesma facilidade com que já não estava lá. 11 Não se sabe sequer se alguma vez teve lembranças, a saudade que nem sequer existia na sua língua. Queria descobrir o plural do céu pois já sabia a diferença entre as vespas e abelhas. Fazia amigos das horas, dava-lhes nomes e revia-os diariamente. 10 Gostava de mel com trigo, de encontrar coisas perdidas e de lhes dar sentido, ajudá-las. Pisar o feno dos animais. Não vivia de noite, escondia-se sem concha, vulnerável. Não se sabe o que queria, mesmo. 9 Desde a última vez que olhei fico sempre com a impressão que ela já voltou a desaparecer

segunda-feira, agosto 23, 2004

O outro lado do sentido

Enquanto na areia. Enquanto no ar.
Descobrimos o que está por baixo. Para, não penses. Se perderes olha para os pés, mesmo que não saibas para onde estás virado. Se puderes lembra-te dos outros. atira-te. Pode ser que um dia não chova, que a banda sonora da tua vida seja bossa-nova. Talvez se lembrem de ti, talvez um sorriso esteja presente. Talvez devas deixar de pensar em "talvez". Só desta vez. dentro da areia.

nekje na pesku. nekje v zraku. najdi, kar je pod tem. prenehaj in ne razmisljaj. Ce izgubis pot, poglej svoja stopala, ceprav ne ves kam je obrnjeno telo. Ce le lahko, se spomni ostalih. Vrzi se. Mogoce ne bo dezevalo in posnetek tvojega zivljenja bo bossa-nova. Mogoce se te bo kdo spomnil. Mogoce bo tam nasmeh. Mogoce moras nehati razmisljati o "mogoce". Takrat v pesku.  Posted by Hello