Dores

Encontrei um casa de paredes salgadas. Perdida longe dos montes, feita de anos. Longe do comboio, longe da estrada. Despida de cafés e olhares. Sem encontros, como estás, boa tarde, sem obrigações. Marcada pelo hábito do dia. O dia em que os olhos apenas iluminam o que vêem. Não encontro fantasmas nem mensagens perdidas, não se escondem paixões. Aqui o sol não brilha ao máximo, onde a água não é tão profunda, um mundo sem homens, vazio. Um vazio de calma. Troquei os pensamentos por umas mãos arranhadas, abandonei-nos por um corpo dorido. Agora sento-me por entre o fumo de um cigarro e conto o tempo para o fim. Não agora, será amanhã. Porque entre tu e eu resta ainda uma noite de sono tranquilo, a meias.
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