Por recordações

Encontrei o meu velho fato áspero. Enrugado do tempo que o pisou. Dei-lhe um abraço, cheguei-o aos meus ombros e segredei-lhe: hoje lembro-me de ti mas tal como tudo, um dia, tiveste de morrer. Enterrei-te na neve, debaixo do sol, escondido do nevoeiro, na sombra da ponte, no fundo do rio. Abandonei-te porque já não conseguia lidar com o facto de precisar de ti.
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