Mia
Não me vejo. Devo estar a andar, vislumbro movimento perto, um foco sem norte estes olhos. Pareço turvo. Não te consigo distinguir mas recebo o teu adeus, sem perdas. Espera, esqueces-te.
Tive de te abandonar, refugiado na carcaça da minha vontade de ser tudo um sonho. Se pudesse cortava-me. Picotava as costas da mão como no tempo em que todas as letras da vida ainda cabiam entre as duas linhas, num livro de 24 páginas.
Vivo a cadência de sentimentos e encontro um lugar comum, mas apenas de sofrimentos.
Por isso também te os dei a ti.
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