Fechado para obras.
À volta parece que está tudo a cair, os prédios e as pessoas. Caiem os velhos e os novos. Não que já não hajam verdadeiras estruturas, faltanto resistência mas parece-me que as coisas já não são mais do mesmo. Também como poderia eu saber. O facto é que olhando à volta já vemos os novos apartamentos, de nove andares esticados, estendendo os braços na sua fragilidade, juventude, tentando alcançar ajuda. Como andam desamparados, às turras em si próprios, sem lugar, sobretudo sem sítio. Num interesse psicológico deviam diagnostica-los, descobrir-lhes o enfermo, para que pelo menos peguem numa folha de papel e gritem "eu sou assim". Distribuam-lhes sofás para poderem pagar para falar quando o que precisavam era uma máquina-do-tempo para voltar e receber um sorriso na altura certa, aquela. Se fosse possível viver pelos outros, num sopro de altruísmo. Talvez eles deixassem de cair porque ninguém os ajudou a levantar.
Às vezes tenho medo que os meus valores tenham vindo de ver demasiadas séries americanas na infância ou de uma qualquer caixa de ceriais. Mas o encontrar de zoe, vermelha no passeio, lembra-me de quem agora luta para encontrar os seus.
Às vezes tenho medo que os meus valores tenham vindo de ver demasiadas séries americanas na infância ou de uma qualquer caixa de ceriais. Mas o encontrar de zoe, vermelha no passeio, lembra-me de quem agora luta para encontrar os seus.
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